A esperança está nas mulheres por Rayssa Aline 

“Eu vejo a vida melhor do futuro, eu vejo isso por cima do muro de hipocrisia que insiste em me rodear” é ao som de Lulu Santos que quero escrever para vocês no dia internacional de luta das mulheres.

A transformação social que nós, mulheres, almejamos tem inúmeros desafios, porém hoje não quero falar do que vocês podem encontrar no google, nem tão pouco é minha intenção romantizar a realidade, quero apenas escrever sobre esperança.

Quando esse blog me pediu para escrever um artigo para esse canal, primeiramente pensei em falar da origem do 8 de março, porém minha mente insistiu em lembrar das garotinhas que encontrei ano passado. E acredito que não foi à toa.

Primeiramente, para situar os leitores, preciso me apresentar, mesmo que brevemente: sou Rayssa Aline, militante social, mãe de duas crianças maravilhosas e fui candidata a vereadora em 2020 pelo PT na cidade de Currais Novos/RN, conquistando a primeira suplência. Durante a eleição tive muitas surpresas boas e muitas delas vinham das crianças. Hoje quero compartilhar uma situações em especial, o encontro com duas meninas no bairro Manoel Salustino.

O que sucedeu foi que em meio a uma caminhada com vários candidatos duas garotinhas, de cerca de 10 anos, me pediram para tirar uma foto com elas. Até aí tudo acontecia de forma rotineira. Fiz a foto com elas, nos cumprimentamos e segui a caminhada. Porém, quase no ponto final da atividade encontrei as garotinhas novamente, ou melhor, elas me encontraram. Estavam curiosas sobre um adesivo que dizia “meu voto é feminista”. Elas queriam saber o porquê do ‘feminista’.

Tentando me adaptar a linguagem de uma criança expliquei que feminista são as mulheres que lutam por todos, em especial pelas outras mulheres e juntas elas constroem um movimento de transformação social chamado feminismo.

E a surpresa veio na resposta. As meninas começaram a dizer algo do tipo:

“as mulheres nem sempre tiveram direitos. Teve época que não podiam estudar, nem trabalhar. Muitas até morreram para tentar fazer coisas que só os homens podiam”.

Não só eu, como toda a minha militância foi parando ao redor das garotinhas para ouvir o que elas falavam.

E elas continuavam: “na minha escola a gente estudou isso. Até hoje em dia tem coisas que acham que a gente menina não pode fazer, que só os meninos podem”.

Fiquei muito interessada na discussão e comecei a instigar mais, queria saber até onde elas iam. Perguntei se elas achavam certo ou errado as meninas não poderem fazer algumas coisas, como estudar, e se elas queriam ter vivido na época que estavam relatavam. Elas tinham a resposta na ponta da língua ‘não’. Perguntei também o que queriam ser quando crescer. Se não me engano, elas responderam que querem ser médica veterinária.

E nessa conversa longa, ganhamos nosso dia de campanha. Nada mais oportuno do que falar no dia internacional de luta das mulheres sobre meninas que tem oportunidade e esperança de ser/fazer o que elas estão escolhendo ser/fazer. Em outras palavras, de se verem como ‘ser político’ que somos.

E se me perguntarem se a luta vale a pena? Eu respondo sem rodeios: vale sim. Se meninas de 10 anos, em outras épocas só tinham a opção de estarem se preparando para o casamento e hoje estão podendo ir à escola, expressar suas opiniões e defender seus pensamentos, em breve, conquistaremos todos os espaços que nos é de direito. Sempre vigilantes, seguimos em marcha até que todas sejamos livres.

Artigo produzido por Rayssa Aline

 

Compartilhe nas Rede Sociais

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email